segunda-feira, 21 de junho de 2010

O lado B dos isotônicos


Produto contém calorias e não deve ser consumido como se fosse água
Chris Bertelli, iG São Paulo /Foto: Getty Images


Fazer exercícios físicos elimina aqueles quilinhos extras, mas nada de achar que emagreceu só porque depois de suar na esteira você saiu com dois ou três quilos a menos. Essa diferença nada mais é do que líquido perdido – e que deve ser reposto – durante a malhação.

Para restituir a hidratação, há quem tenha o costume de trocar a água pelo isotônico. A medida é indicada apenas para atletas, segundo conselho da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). E o consumo frequente deve ser prescrito por um médico ou nutricionista.

Isotônicos: bebidas não são indicadas a todos
A bebida, chamada também de repositor hidroeletrolítico, é composta por carboidratos, sódio, potássio e minerais, e serve para repor estes nutrientes perdidos durante os exercícios.

“Os isotônicos têm uma formulação distinta, seus componentes aumentam e agilizam a absorção líquida no intestino e repõem os nutrientes eliminados na ginástica. Mas não há benefício real se consumidos sem necessidade”, diz Luciana Rossi, do Conselho Regional de Nutrição de São Paulo. Além disso, como contêm carboidratos, são mais calóricos e podem até favorecer o aumento de peso.

Por conta dessa composição diferenciada, as bebidas não devem ser consumidas por qualquer pessoa. “Elas contêm alto índice de sódio e quem segue uma ingestão controlada desse nutriente, deve evitar consumi-las, como pacientes com insuficiência renal ou hipertensão, por exemplo”, afirma Fernanda Bortolon, nutricionista da Unimed de Porto Alegre. Quem tem tendência a desenvolver pedras nos rins também deve tomar cuidado e beber com parcimônia.

A indicação dos especialistas, principalmente para quem tem restrições, é consultar um médico e prestar atenção ao rótulo que indica as propriedades da bebida. E sempre há opções de substituição. “Para quem prefere algo mais saudável, pode escolher água de coco, que é bem equivalente ao isotônico”, aconselha a nutricionista paulista.

Parâmetros de desidratação

Para saber se há a necessidade de uma hidratação mais intensa, os especialistas indicam alguns truques que podem ser facilmente aferidos. O primeiro deles é pesar-se antes e depois dos exercícios. “Se a perda for superior a 2% do peso total, significa que a desidratação foi grave e essa pessoa pode fazer uso de um isotônico”, indica Luciana. Para Fernanda Bortolon, nutricionista da Unimed de Porto Alegre, verificar se o suor está muito salgado também pode ser uma forma simples de perceber a perda excessiva dos nutrientes.

A cor da urina no xixi feito após a ginástica também é um bom indicador para quem está num local sem uma balança. Ela deve ser límpida, com uma coloração amarelo brilhante, clara. Se estiver turva ou mais escura, é prudente investir na água.

Os perigos da falta de líquido

O primeiro sinal de desidratação é a sede. Mesmo que leve, já é um sinal de que o nível de água no corpo está abaixo do ideal para que ele realize suas funções plenamente.
Em um primeiro estágio de desidratação a boca e os olhos ficam secos. Na sequência, a pessoa sente mais dificuldade para realizar atividades corriqueiras, se sente mais pesada e experimenta redução do apetite. Uma desidratação aguda pode causar tontura, fraqueza, dor de cabeça e, em casos muito graves, levar à morte por falência renal.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

As características do futebol e o treinamento de força

Um excelente artigo Autor: Francisco Adolfo Ferreira* Fonte: Cidade do Futebol

Sugestão para evitar um desgaste excessivo, que poderia ser causado pela alta intensidade e o intervalo de recuperação insuficiente, é uma carga de trabalho mais suave aos atletas
A capacidade física-força tem sido cada vez mais solicitada aos atletas de futebol. Conceitos como futebol-força, por exemplo, já se tornaram comuns no futebol profissional de alto rendimento. A força caracteriza-se, nesta modalidade, como talvez a única capacidade que pode ser treinada de maneira isolada.

Uma vez que o futebol possui características bastante peculiares, como: o grande espaço do campo de jogo, podendo chegar a 120m x 90m nas suas dimensões máximas permitidas pelas regras; o período prolongado de tempo de jogo, com 90 minutos, sem contar os minutos de tempo recuperado ao final de etapa de jogo; o piso com gramados não padronizados, onde muitas vezes se encontra, em um mesmo campo de jogo, vários tipos diferentes de grama, seja ela alta, ou baixa, rala ou densa, e onde o piso pode ser duro, fofo, seco, encharcado, plano, com buracos ou ondulações; o horário de prática e os diferentes climas, indo desde próximo de zero grau em um jogo noturno no inverno, até 40 graus celsius em regiões tropicais à tarde e em horário de verão. Além, claro, do número elevado de atletas envolvidos na disputa (22), da grande heterogeneidade do grupo de jogadores, de suas funções dentro da equipe e dos diferentes sistemas de jogo e postura tática da equipe.

Por todas essas razões, e dadas as características do futebol como uma modalidade aberta em que durante todo o tempo de jogo, há, conseqüentemente, problemas motores que exigem dos praticantes a adaptação da técnica em busca da solução (motora) para uma situação específica, a imprevisibilidade, a rapidez na tomada de decisões, assim como a inteligência tática, o tornam um jogo repleto de alternativas e predominantemente tático. Jogar futebol é estar buscando o tempo todo levar a bola para longe de sua meta (ações defensivas) e, ao mesmo tempo, tentando chegar o mais próximo possível da meta adversária, a fim de se consignar o tento.

Isso exige percepção, estratégia, visão de jogo, rapidez de raciocínio, técnica apurada e um excelente e eclético condicionamento físico, com ótimos níveis de força, resistência, velocidade, agilidade e destreza.

Talvez seja a modalidade esportiva com o maior número de variáveis envolvidas e onde o imponderável tem maior peso, sendo um jogo onde, não raras vezes, uma equipe mais fraca tecnicamente consegue vencer a mais forte.

A resistência aeróbia torna-se básica na medida em que permite ao atleta suportar o tempo prolongado de jogo, sendo esta ainda predominante em termos de volume. A força é, por sua vez, o alicerce que torna possível a aplicação das capacidades anaeróbias e, ainda que em pequena escala devido ao elevado grau de dependência do componente genético, o desenvolvimento da velocidade e da potência. Além disso, ela contribui no aspecto preventivo das lesões músculo-articulares.

Esse esforço anaeróbio, seja lático ou alático, é preponderante. São os lances que decidem os resultados dos jogos. Praticamente todos os lances em que está envolvida a disputa pela bola são de intensidade alta ou máxima e curta duração, ou seja, onde estiver a bola, haverá disputa, e onde houver disputa, haverá demanda de força, velocidade, potência: arrancadas; saltos; giros; frenagens, mudanças bruscas de direção, dribles e chutes.

Nas outras partes do campo de jogo, distantes da zona onde está sendo disputada a posse da bola, os atletas estarão em atividades de baixa intensidade: trotando, andando, ou mesmo parados, recuperando-se para as disputas subseqüentes. Portanto, a intermitência e a imprevisibilidade dos tipos de esforços são constantes no jogo de futebol.

No Brasil, em comparação com a Europa, por exemplo, joga-se muito (em torno de 70 jogos/ano), e, contraditoriamente, continuamos também treinando muito (volume) quando o natural seria que houvesse uma relação inversamente proporcional, embora, ao se comparar uma equipe de pequeno porte com um dos grandes clubes brasileiros, percebemos que o time pequeno treina muito mais devido ao fato de disputar um menor número de competições e jogos.

Partindo desse princípio, deveríamos prestar mais atenção à questão do volume e ao tipo de treino a que submetemos os nossos atletas de futebol. Uma das questões a levantar seria o fato de haver, com muita freqüência, sessões de treinamento complexas, ou seja, com treinamentos concorrentes em seqüência. Numa sessão de musculação, por exemplo, geralmente não podemos aplicar intensidades altas em termos de percentual da carga máxima (80 a 90%), pois ao término dessa sessão, o atleta já será, invariavelmente, submetido a uma seqüência de treinamentos no campo (agilidade, tração, etc.), assim como também, no dia seguinte e nos subseqüentes, com outros treinamentos físicos, técnicos, coletivos e até mesmo jogos, que, teoricamente, seriam os momentos de intensidade máxima dentro do microciclo.

Não há tempo suficiente, não há intervalo para uma plena recuperação (deveria ser de aproximadamente 48 a 72 horas), após um treino-força como citado. Por essas razões, sugiro como forma de preservar os atletas, uma carga de trabalho mais suave (em torno de 60% de 1RM) para evitar um desgaste excessivo que poderia ser causado pela alta intensidade e o intervalo de recuperação insuficiente. Resistência muscular, força e potência são trabalhadas na musculação e em circuitos de agilidade.

Resistência de força é trabalhada na caixa de areia e através do trabalho de tração. Como o piso de areia não é específico da modalidade, essa só deve ser usada no período básico.

sexta-feira, 26 de março de 2010

EVOLUÇÃO DA PREPARAÇÃO FÍSICA PARA O FUTEBOL NO BRASIL

EVOLUÇÃO DA PREPARAÇÃO FÍSICA PARA O FUTEBOL NO BRASIL
Prof. Ms. Fabio Aires da Cunha

A preparação física no futebol é um dos fatores que mais evoluiu nas últimas décadas e continua evoluindo. O conhecimento científico do condicionamento físico para o futebol é de vital importância para o sucesso de uma equipe dentro de uma competição.
Os primeiros indícios de treinamento físico no Brasil datam do início do século passado, por volta de 1904. As equipes paulistas tentaram substituir os treinamentos que reproduziam partidas, por outros tipos de treinamentos. O motivo inicial talvez tenha sido a dificuldade de se encontrarem atletas para realização desses treinos. O emprego de exercícios de condicionamento físico, como corridas de 100, 200, 400 e 800 metros, além de luta romana, ginástica alemã e halteres, passou a ser rotina entre as equipes. O importante a ser ressaltado era a preocupação com a força e não com a velocidade dos atletas (SANTOS NETO, 2000).
Finalmente, a primeira atuação de um preparador físico ocorreu na Copa do Mundo de 1954, com a presença em algumas seleções de um elemento junto ao técnico, com a finalidade de dirigir as atividades físicas da equipe (BARROS, 1990).
Na Seleção Brasileira, em 1958, a CBD (Confederação Brasileira de Desportos) convidou um professor, ex-jogador de futebol que exercia a função de treinador em um clube do Rio de Janeiro, para auxiliar o técnico da Seleção. Foi, portanto, o primeiro preparador físico no Brasil. Com o resultado no mundial, surgiram os primeiros preparadores físicos nos clubes. Nessa época, havia o conceito de que o preparador físico deveria ser um homem forte, de hábitos rudes, e que deveria exigir o máximo dos jogadores em atividades estafantes, nas quais não se verificavam os aspectos científicos do treinamento físico. Imperava no Brasil a fase de preparadores físicos militares. Coronéis, majores, capitães, tenentes, sargentos ou até mesmo policiais civis proliferavam nos clubes. Essa fase durou por muitos anos e acarretou sérios problemas entre jogadores e militares (BARROS, 1990).
Com o insucesso do Brasil na Copa do Mundo de 1966, muita coisa pode ser observada. Somente o aspecto técnico não era mais fundamental para se vencer uma Copa do Mundo. Outro agravante foi que o nosso preparador físico nunca havia trabalhado com futebol, mas sim em esportes de luta e na caça submarina. Chegava a hora de uma mudança! Já na Europa, as seleções eram treinadas com base em um novo método de treinamento, chamado treinamento em circuito, criado por um belga. Quatro seleções européias (Inglaterra, Alemanha, Portugal e Polônia) ocuparam os quatro primeiros lugares (BARROS, 1990).
A Copa da Inglaterra foi um marco para a preparação física. Com a criação do sistema de marcação homem a homem pela equipe inglesa, o condicionamento físico era fator preponderante para o sucesso deste esquema. A diminuição dos espaços era o objetivo principal. A Inglaterra demonstrou que o seu sistema era efetivo, com isso a preparação física a partir daquele momento tornou-se um aspecto importante e indispensável no planejamento e treinamento do futebol (GONCALVES, 1998).
Com o sucesso da Seleção Portuguesa nesse mundial, tendo um treinador brasileiro, Otto Glória, o futebol brasileiro começou a aprender um pouco mais sobre o porquê do "futebol força", praticado nessa Copa. Em meados de 1968 começou-se a ter uma evolução maior no aspecto científico do treinamento pela atualização e estudo de nossos profissionais na Europa. Essa atualização contribuiu muito para a nossa seleção de 1970, iniciando a fase científica do treinamento do futebol no Brasil (BARROS, 1990).
RIGO (1977) enfatiza que até 1970, ano em que o Brasil conquistou o tricampeonato, poucos eram os clubes no país que faziam uma preparação física e bem menor era o número de equipes que utilizavam métodos modernos e científicos.
Estudos realizados por KNOWLES e BROOKE; WHITEHEAD, citado por BARBANTI (1996); REILLY e THOMAS, citado por MAYHEW e WENGER (1985) e BARBANTI (1996) comprovam que durante a década de 1970, existia uma preocupação e um interesse com a investigação científica no futebol com o intuito de auxiliar a preparação física dos atletas, determinando os sistemas energéticos que predominavam no esporte, através de uma análise de movimento realizada durante as partidas de futebol. Estudos semelhantes foram realizados por BRODIE; WHITERS et al., citado por MAYHEW e WENGER (1985) durante os anos de 1980.
A importância de um profissional capacitado nos clubes é fundamental. O preparador físico deve estar presente em todas as categorias e não somente na categoria profissional, pois existem intensidades e cargas diferentes para cada faixa etária.
Hoje o aspecto científico do treinamento físico está muito desenvolvido. Os profissionais se especializam cada vez mais utilizando computadores e os mais variados aparelhos eletrônicos possíveis, para determinar o nível de condicionamento e a evolução dos atletas. Portanto, percebe-se que a preparação física evoluiu de tal maneira que seria impensável a falta de um profissional especializado em treinamento físico integrando a comissão técnica de uma equipe.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. BARBANTI, V. J. Treinamento físico: bases científicas. 3. ed. São Paulo: CLR Balieiro, 1996. 116 p.
2. BARROS, J. M. A. Futebol: Por que foi... Por que não é mais. Rio de Janeiro: Sprint, 1990. Cap. 2, p. 15-19.
3. GONCALVES, J. T. The Principles of Brazilian Soccer. Spring City: Reedswain, 1998. Cap. 5, p. 63-85.
4. MAYHEW, S. R.; WENGER, H. A. Time-Motion Analysis of Professional Soccer. Journal of Human Movement Studies, Edinburgh: Teviot, v. 11, p. 49-52, 1985.
5. RIGO, L. Preparação Física. São Paulo: Global, 1977. 186 p.
6. SANTOS NETO, J. M. Visão do Jogo: primórdios do futebol no Brasil. São Paulo: Cosac & Naify, 2000. 117 p. (Coleção Zona do Agrião).

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Treinamento com peso para crianças e adolescentes

O treinamento para crianças e adolescentes vem enfrentando vários paradigmas, se os adultos que se dizem bem resolvidos ainda se frustram no assunto “corpo”, imagine uma criança ou adolescente cheio de sonhos e ilusões!

O importante, antes de tudo, é esclarecer que musculação e ginástica não estão ligados a esforços máximos e pesos absurdamente altos. O conceito de fisiculturismo, halterofilismo e treinamento com peso (musculação) se confundem na cabeça dos pais.

Quando falamos em criança e adolescente, estamos lidando com descobertas e experimentações e porque priva-los dessas vontades?
A melhor receita é uma ótima orientação!

Vários estudos, desde 1980, deixaram clara a melhora fisiológica das garotas e garotos treinados.

O Dr. Turner, 1980, da academia Americana de Pediatria, listou os pontos mais importantes para este tipo de treinamento:
 Exame médico
 Professor experiente
 Sala de musculação segura
 Bons equipamentos
 Aquecimento (exercícios preparatórios)
 Técnica correta
 Escolha do peso testada
 Programa equilibrado
 Inicio fácil
 Freqüência 2 a 3 x semana
 Avaliação física e fisioterápica

Estudos feitos por RIANS e colaboradores (Sociedade Americana de Ortopedia, 1987), OZMUN e colaboradores (Revista de Medicina e ciência do esporte e exercícios, 1994) SEWALL e MICHELI (Divisão de medicina esportiva, hospital da criança, Boston, 1986) chegaram em conclusões similares.
Os grupos de pré-adolescentes treinados tiveram um aumento na força muito maior do que os não treinados, RIANS detectou até uma melhora na flexibilidade. O mais importante, ninguém se machucou nesses estudos. Hoje o maior paradigma é a interferência no crescimento. Nas pesquisas observadas, nenhuma comprovou esta interferência.

O grande problema então é não ter uma boa orientação e locais onde haja profissionais qualificados para tal. O treinar criança e adolescente, implica conhecer o universo o qual vivem, e saber orienta-lo não só na construção do corpo, mas para que? E porque?

O conjunto psico-fisiológico-social merece grande atenção neste grupo em questão, mas do que carregar peso, eles carregam o orgulho, a vontade, a auto estima. Assim dizer não, sem explicações é um ato altamente traumatizante quando a possibilidade de executar a tarefa é evidente.

Até semana que vem!!
kenji

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Depressão e atividade física

A literatura indica que o respeito pela individualidade de cada paciente é um aspecto relevante à escolha da intensidade das atividades psicomotoras, prevenindo assim situações que possam aumentar os problemas clínicos existentes (ROEDER, 2001). A avaliação diagnóstica de cada paciente é imprescindível para que o professor saiba quais suas limitações e necessidades, garantindo a construção de um programa que atinja os objetivos do tratamento antidepressivo.
A imagem corporal é a maneira que o indivíduo percebe seu próprio corpo, podendo ser distorcida em conseqüência de distúrbios psiquiátricos, traumas emocionais ou físicos ou por algum tipo de deficiência (mental ou física) (TAVARES e CONSOLAÇÃO, 2003).

A construção da imagem corporal não é afetada pela depressão apenas por ser um distúrbio psíquico, mas também pelas disfunções sociais, psicológicas e fisiológicas ocasionadas por ela (SHARKEY, 1998). A auto-percepção corporal vive em constante desenvolvimento, onde o movimento é um dos aspectos fundamentais para a organização desta. A terapia corporal amplia os meios de interação do indivíduo consigo e com

Os efeitos antidepressivos do exercício físico são percebidos em vários estudos, mas embora a maioria destes sejam realizados com exercícios aeróbios como a caminhada, Martinsen, Hoffart e Solberg (2001) citam que estes efeitos também podem ser atribuídos aos exercícios anaeróbios.
Verificou-se a existência de uma insuficiência de padronização de exercícios e de estratégias metodológicas utilizada pelos profissionais de educação física. Isto parece ser mais uma conseqüência da falta de experiência e da necessidade de maior conhecimento do Profissional de Educação Física quanto a relação atividade física e depressão considerando diferentes intensidades, tipo de atividades, duração relacionada aos diferentes diagnósticos de depressão. Por isso se torna importante a projeção de futuros estudos científicos que procurem fundamentar e padronizar exercícios, freqüência, duração, intensidade que auxiliem no tratamento antidepressivo. Além desta padronização, processos de avaliação tanto para diagnosticar as necessidades como para verificar os resultados obtidos através da prática regular de atividade física devem ser estudados e aplicados para que se justifique sua importância.
O movimento corporal trabalhado através das relações entre o indivíduo e seu ambiente, bem como pela aquisição do equilíbrio das dimensões morfológicas, funcional-motora, fisiológica, sensorial e comportamental, auxilia na redução dos sintomas da doença mental, resultando na melhora da qualidade de vida por proporcionar bem-estar pessoal e melhorando principalmente a saúde emocional (ROEDER, 2001).
Destaca-se na percepção dos Psiquiatras a influencia positiva da atividade física no tratamento dos sintomas físico em supressão aos sintomas psicológicos, onde a diminuição da insônia foi o aspecto mais relacionado com os benefícios da atividade física regular.
Além da melhora da maioria dos sintomas da depressão os psiquiatras percebem ainda que os sintomas, freqüência e duração da depressão são menores em pacientes que praticam atividade física regularmente em comparação com os que não praticam.
Outro ponto discutivel nesta relacao de atividade fisica e depressao e o tipo de atividade fisica mais adequada,aerobica ou anaerobica.Embora a maioria dos estudos atestem que a atividade fisica aerobica seja a que mais trag efeitos antidepressivos,novos estudos apontam que a atividade fisica anaerobica proporciona o mesmo efeito antidepressivo que o exercicio fisico aerobico.Quanto ao grau de depressao que e beneficiado atrvez da atividade fisica se pode citar a depressão

a) os homens e as mulheres de nível socioeconômico mais baixo, apresentaram níveis mais graves de depressão;
b) o nível de participação em atividades físicas foi baixíssimo, em ambos os gêneros;
c) a maioria das pessoas que praticava atividades físicas, o fazia na forma de caminhada.

(http://www.emedix.com.br/not/not1999/99out24psi-dumc-exe-depressao.php)

Uma caminhada durante 30 minutos, três vezes por semana, pode ser tão efetiva no alívio dos sintomas da depressão quanto o tratamento padrão à base de medicamentos anti-depressivos, conforme publicado na edição de hoje do The Archives of Internal Medicine.
Os pesquisadores estudaram 156 pacientes idosos diagnosticados com desordem depressiva principal (em inglês, MDD), os quais foram divididos em três grupos: exercícios, medicamentos e medicamentos com exercícios. Após 16 semanas, todos os grupos apresentaram melhoria similar e estatisticamente significativa. Cerca de 33% dos pacientes em geral não respondem a medicamentos, os quais causam, às vezes, efeitos colaterais indesejáveis.
O exercício pode ser considerado como opção viável para esses pacientes, conforme afirma James Blumenthal. Os resultado provavelmente se aplicam à população em geral, pois os idosos tendem a apresentar problemas médicos adicionais que podem tornar difícil a prática de exercícios regulares.
Sintomas da MDD incluem ânimo deprimido ou perda de interesse combinados a, no mínimo, 4 dos seguintes ítens: distúrbios do sono, perda de peso, mudanças no apetite, agitação psicomotora, baixa auto-estima ou culpa excessiva, cognição ou concentração debilitada e desejo de morte.
A simples ingestão de uma pílula é muito passiva, diferentemente do exercício, que faz com que os pacientes sintam-se dominadores de sua condição, com grande senso de realização. Sentem-se mais auto-confiantes, com melhor auto-estima por poderem realizar sozinhos os exercícios físicos.
Essas descobertas podem mudar a maneira pela qual alguns pacientes deprimidos são tratados, especialmente aqueles não interessados em anti-depressivos. O estudo não incluiu pacientes acentuadamente suicidas ou com depressão psicótica.


Atividade física ajuda a combater depressão em idosos na Unesp/Rio Claro

Há estudos que mostram que idosos moradores de instituições especialmente voltadas para eles podem sofrer mais sintomas depressivos que idosos residentes na comunidade. Um dos fatores que pode influenciar o desencadeamento desses sintomas seria o baixo nível de atividade física destes idosos.
Com o intuito de estudar se a participação em atividade física regular poderia influenciar beneficamente tais sintomas depressivos, sendo inclusive utilizada como tratamento ou como coadjuvante não-farmacológico para sintomas depressivos, foi implementado, em Rio Claro, em 2005, com o apoio do Programa de Atividade Física para a Terceira Idade (Profit), um programa de atividade física em instituições que abrigam idosos.
Criado em 1989 e promovido pelo Departamento de Educação Física de Instituto de Biociências (IB) da Unesp, campus de Rio Claro, o Profit tem o apoio do Núcleo Unesp-Unati da Pró-Reitoria de Extensão Universitária da Unesp.
As atividades foram desenvolvidas em 4 asilos de Rio Claro e região, sendo realizadas 3 sessões semanais de 60 minutos durante 6 meses com atividades recreativas, dança, esportes adaptados, caminhadas e ginástica geral. Participaram do Grupo de Atividade Física (GAF) 19 idosos, com média de idade de 77 anos.
Para um maior controle de variáveis intervenientes, foram constituídos outros dois grupos, com características semelhantes em idade, sendo o Grupo Controle (GC), com 17 sujeitos que somente responderam as avaliações com intervalo de 6 meses e o Grupo de Convívio Social (GCS), com 7 idosos que participaram de atividades de entretenimento, durante o mesmo período que o GAF.
Todos os participantes responderam à Escala para Depressão em Geriatria (GDS), para quantificar os sintomas depressivos e ao Questionário Baecke Modificado para Idosos (QBMI), para avaliar o nível de atividade física, antes (pré) e após (pós) as intervenções. A análise estatística (ANOVA two-way para medidas repetidas) demonstrou haver interação entre grupos e momentos, ou seja, o que ocorre com os sintomas depressivos depende do tipo de intervenção realizada.
O GCS apresentou uma melhora quanto aos sintomas depressivos, o que mostra a importância do relacionamento interpessoal, que é muito afetado com a institucionalização. O GAF se mostrou mais eficaz no sentido de diminuir tais sintomas depressivos, mostrando melhora um pouco mais acentuada que o GCS, o podendo ser explicado pelas alterações fisiológicas que a atividade física pode proporcionar, além do relacionamento interpessoal.
Também foi constatada correlação moderada e significativa (Correlação de Pearson) entre as variáveis, o que quer dizer que baixos níveis de atividade física podem influenciar no aparecimento de sintomas depressivos. Já para nível de atividade física somente o GAF apresentou um incremento.
Com tais resultados conclui-se que, em idosos institucionalizados, baixos níveis de atividade física podem ser um fator de risco para sintomas depressivos; programas de atividade física ou de contatos sociais também podem auxiliar na redução de sintomas depressivos; programas de atividade física parecem ser mais efetivos para aumentar o nível de atividade física e contrapor-se a sintomas depressivos comparado com programas de convívio social sem atividade física; e o não envolvimento com programas de atividade física ou de contato social aumenta o risco para sintomas depressivos.

Fonte: Unesp/IB/Rio Claro
Pesquisa feita em abril/2007