domingo, 12 de dezembro de 2010

Preparação física no futebol


www.treinamentoesportivo.com


futebol é talvez uma das modalidades mais desgastantes do mundo esportivo. No jogo moderno (em qualquer nível) o treinamento e condicionamento são fundamentais.

Poucos esportes são praticados em um campo tão amplo, em um período longo de tempo sem intervalo.
Os jogadores correm em média 8-12 km durante a partida, sendo 24% andando, 36% trotando, 20% em perseguição, 11% sprints, 7% correndo de costas e 2% movimentando com a posse da bola (1).

O jogador de futebol deve possuir excelente resistência, com o VO2max atingindo faixas entre 55-70 ml/kg/min para profissionais. O jogo é disputado numa intensidade próxima ao limiar de lactado (80-90% Fcmáx.)

Importância do treinamento de resistência no futebol

Quanto maior a capacidade aeróbica do jogador, mais campo o atleta consegue cobrir durante a partida. Além disso, aumentar a resistência aumenta o número total de sprints do atleta na partida (1,2). Um estudo mostrou que o aumento em 11% no VO2max de jogadores juvenis durante um período de 8 semanas, houve um aumento em 20% no total da distância percorrida pelos mesmos durantes os jogos, 23% de aumento em ações com bola e em 100% no número de sprints total de cada jogador (3).

Outras capacidades importantes

O treinamento de força possui hoje no futebol grande participação e importância. Simplesmente fazer exercícios de musculação tradicional (p.ex: cadeira extensora 3 séries x 10 reps!) não é uma forma eficiente de se treinar força para o futebol. O futebol exige um equilíbrio de ações explosivas e resistência muscular. Alguns jogadores podem se beneficiar do aumento de massa muscular, no entanto devem objetivar em converter esse aumento de força em potencia especifica nas ações do futebol.

Corrigir desequilíbrios musculares também é função do treinamento de força. Jogadores de futebol são propensos a desenvolver muito mais o quadríceps em comparação com o ísquio-tibiais, portanto um plano de treinamento muscular bem desenvolvido pode ajudar a evitar uma futura lesão.

Com essas informações podemos começar a projetar um programa de condicionamento físico no futebol. Nos próximos artigos pretendemos cobrir as capacidades mais a fundo.

Referências:

1.Reilly T (ed) (1996) Science and Soccer. Chapman & Hall, London, 25 64
2.Bangsbo J. The physiology of soccer with special reference to intense intermittent exercise. Acta Physiol Scand 1994;150:615
3.Helgerud J, Engen LC, Wisloff U, et al. Aerobic endurance training improves soccer performance. Med Sci Sports Exerc 2001;11:1925 31.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Mais qualidade de vida e desempenho com o SUPER CORE - Treinamento Funcional integrado

Por: Kenji Marcelo Takahashi
(31) 9111 9994 (31) 9996 86 99
email:kenjipersonal@yahoo.com.br


O Treinamento Funcional (TF) é uma modalidade onde os exercícios utilizados visam priorizar a funcionalidade do corpo humano como qualidade de vida ou para uma técnica esportiva específica.

Falando de qualidade de vida, atualmente vislumbrar uma longevidade passou a ser uma meta, assim sendo as atividades holísticas direcionadas para um corpo saudável começaram a se destacar no mercado da atividade física, quanto à procura nas academias, clubes e ou como personal training “in door” ou “out door”.

Importante saber que um dos grandes benefícios desta modalidade é a prevenção de lesões devido ao fortalecimento da musculatura profunda do corpo (CORE).

A base do TF é o Core Training, hoje sendo propagado pelo SUPER CORE – TREINAMENTO FUNCIONAL INTEGRADO. O que vem ser isto? È um conjunto de exercícios, com ou sem aparelhos alternativos, com uma progressão pedagógica estruturada para todos os níveis de treinamento, levando o individuo á bom nível de desempenho.

O Treinamento Funcional é um retorno do ser humano aos movimentos básicos como diz Paul Chek, “Você precisa treinar em padrões espelhados na própria vida: agachar, avançar, abaixar, puxar, empurrar, levantar e girar.”
Outra afirmativa e a de Michael Boyle “Desenvolver a força distal sem a presença da estabilidade proximal é como dar um tido de canhão de dentro de uma canoa”.

Sabendo disso, precisamos trabalhar toda nossa musculatura estabilizadora, para depois desenvolver a força dos músculos mais externos, esta seria uma seqüência perfeita de treinamento para ganhar força com baixa possibilidade de lesões. Geralmente não é o que se ver por aí, nas academias e clubes. Portanto cabe aos treinadores, personal trainers e preparadores físicos, estarem atualizados.

Os materiais para o TF são geralmente alternativos, como elásticos, bolas, cordas, barras e outros. Obvio que as grandes marcas de aparelhos de ginásticas já criaram aparelhos com foco no treinamento funcional, que também possuem boa utilização, mas o mais eficaz é combinação de exercícios livres e em aparelhos.

Agora vale dizer, o Treinamento Funcional é retorno as nossas origens como homo sapiens, onde os movimentos eram livres e com força, onde o corpo era bem mais funcional, volto a repetir que a tecnologia deixou o corpo preguiçoso

terça-feira, 5 de outubro de 2010

MILAN INTENSIFICA PREPARO FÍSICO DE SEUS ATLETAS


Retirado do:http://milanjc.esporteblog.com.br

Milan intensifica os treinamentos físicos seja em campo como na academia. Nos dias de hoje o futebol é decidido em um detalhe, uma fração de segundo pode decidir um campeonato. Nesse futebol moderno os atletas precisam estar muito bem técnica e taticamente, mas muito mais importante é estarem bem preparados fisicamente. Os melhores times do Rio Grande do Sul, Brasil e do mundo se destacam pela sua preparação física, quando os jogadores correm incansavelmente os 90 minutos da partida, geralmente conseguem obter um resultado positivo.O preparador físico tem um papel importante nos clubes de futebol, é ele quem tem a responsabilidade de fazer com que os atletas estejam bem condicionados, uma boa pré-temporada já mostra como vai ser desenvolvido o trabalho no ano inteiro, e os clubes estão dando muito mais valor e credibilidade para esse profissional, desempenhado no Milan pelo professor Alcemar Sanfelice. Para vocês terem uma idéia de como a preparação física é importante no futebol moderno, que um jogador de futebol chega a percorrer durante uma partida cerca de 14 Km, o que vamos reconhecer é um alto índice, realizando diversos tipos de deslocamentos e em diferentes intensidades. Em um estudo feito recentemente pela imprensa mostrou que os grandes clubes do Brasil têm marcado os seus gols, na maioria das vezes, no segundo tempo, isso ocorre porque o adversário já demonstra um certo cansaço físico, facilitando o time a marcar

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

A importância da atividade física para a saúde


Você faz parte daquele grupo de pessoas que se exercita somente no verão?

Pior, você é daqueles que se exercita somente no período das férias? Ou ainda, pior, você não se exercita nunca? Então, cuidado, você pode inconscientemente estar comprometendo o funcionamento do seu corpo e muito provavelmente sua saúde.

Para entender melhor sobre o que estamos falando basta analisar que o nosso corpo foi feito para se movimentar e se pensarmos um pouco mais, será fácil entender que nossos ancestrais eram muito mais ativos do que nós, eles não tinham os recursos que temos atualmente.

Com o passar dos anos, a tecnologia foi tomando parte nas nossas vidas estamos a cada dia mais informatizados, e ainda a maioria das pessoas mora nos centros urbanos, o que favorece a mecanização.

Do ponto de vista da locomoção e trabalhos “braçais” nossas vidas se tornaram mais fáceis e confortáveis. Porém, com toda essa economia de movimentos e de força para realizá-los temos um custo, a atrofia de todo o organismo.

O simples toque de botão para controlamos máquinas que fazem o serviço pesado para nós, pode ser agradável, cômodo e aumenta a velocidade de execução das tarefas, mas tem um preço, deteriora nossa saúde.

E, como não queremos voltar no tempo extinguindo os controles remotos, volantes hidráulicos, computadores, liquidificadores, etc., temos que encontrar espaço na nossa agenda para investir em nós mesmos. E este investimento é nos movimentos que nosso corpo é capaz de fazer.

Ao realizar atividades físicas exercitamos nossos músculos, fazendo-os contrair e isto faz com que aja uma maior necessidade de sangue para nutrí-los, acelerando o ritmo do coração e da respiração, o metabolismo altera-se, enfim, todo o corpo entra em ação quando nos movimentamos. E estas alterações são benéficas e necessárias para um bom funcionamento orgânico.

Muitos benefícios são adquiridos através da prática de atividades físicas: diminuição da ansiedade, melhora da auto-estima, prevenção da depressão, uma melhor qualidade do sono, mais disposição e vivacidade para as atividades diárias, incremento na capacidade de concentração e mudança significativa no humor, são apenas alguns deles.

Cada pessoa pode perceber mudanças em seu corpo, mente e também no aspecto social e afetivo quando realiza atividades físicas.

Agora, você somente poderá saber se fizer com que elas façam parte dos seus hábitos. Atividades esportivas, recreativas, exercícios físicos ou mesmo atividades do cotidiano são atividades físicas.

E qualquer atividade que gaste energia de forma significativa e movimento suas articulações, músculos, tracione os seus ligamentos e tendões e cause pressões nos seus ossos são consideradas como suficiente para não classificá-lo como sedentário.

Portanto, se você não gosta de correr, que tal caminhar, nadar, pedalar ou simplesmente pular corda? Se não gosta de realizar ginástica com pesos numa academia, que tal dançar ou mesmo lavar o carro, limpar o jardim ou passear com o cachorro?

Agora, não se esqueça: a atividade física para fazer bem ao nosso organismo deve ser freqüente (no mínimo 3 vezes por semana) e com intensidade adequada (nada que faça seu corpo ficar todo dolorido no dia seguinte pode ser benéfico).

Jogar futebol com os amigos somente no sábado, ou ao terminar de ler este artigo iniciar na ginástica todos os dias não seria o mais recomendado. Sempre busque o equilíbrio, aprendendo a sentir seu corpo.

Concluindo, procurar um profissional de Educação Física para aconselhá-lo, prescrever uma atividade e acompanhá-lo seria o melhor, afinal ele é um especialista em movimentos. Depois desta leitura fica a pergunta: QUANDO VOCÊ COMEÇA A INVESTIR NA SUA SAÚDE?

Aluisio
aluimm@proserv.com.br

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Atividade física “oxigena” raciocínio das crianças



O futuro dos filhos é uma das grandes preocupações dos pais. Mercado de trabalho cada dia mais concorrido, fluência em pelo menos três línguas entre outros requisitos. As escolas também embarcaram nessas preocupações e a grade curricular está mais cheia de informações e aulas extras, diminuindo significativamente as práticas físicas.

Um estudo feito pela Universidade de Illinois, Estados Unidos, conclui que tanta atividade extra pode “ensinar” menos que uma simples aula de futebol ou queimada, comum nas aulas de educação física.

Nele há a evidência que atividades físicas antes, durante ou depois das aulas aumentam o poder de concentração das crianças, isto é, as crianças aprendem mais.

Foram realizados testes cognitivos em 20 crianças de nove anos de idade, sendo oito meninas e doze meninos. Em um primeiro dia, as crianças foram retiradas da sala de aula e os testes foram aplicados depois de 20 minutos de descanso. Já em um segundo momento, as crianças foram testadas depois de 20 minutos de caminhada na esteira.

Testes com conteúdo escolar, como escrita, interpretação de texto e matemática, foram realizados da mesma forma. As crianças obtiveram maior êxito depois da caminhada na esteira tanto nos testes cognitivos quanto com os de conteúdo escolar.

Uma observação que os coordenadores do estudo fazem é que caminhar na esteira não é um exercício propício para crianças. O resultado poderia ser ainda melhor se a atividade que a criança faça seja de acordo com a sua idade e sua preferência.

Seu filho precisa suar - Não é preciso tirar exemplos de estudiosos para exaltar a importância da educação física no desenvolvimento infantil. Em uma brincadeira de “queimada”, por exemplo, a criança raciocinar a força a ser empregada na bola, velocidade em escapar da bola, a pontaria. O mesmo procedimento se aplica basicamente no futebol e outros esportes.

Os pais e as escolas não devem deixar de lado as brincadeiras e atividades físicas das crianças. Não adianta deixar os filhos com a agenda completa somente com a escola, aulas de línguas e computação. Não transforme o filho em um mini-adulto. Já não basta a vida concorrida que o pequeno terá quando crescer. Não vale antecipar essa competição.

A atividade física, incluindo aí brincadeiras como esconde-esconde, pega-pega, passeios no playground, são importantíssimas para o melhor desempenho nas atividades intelectuais.

A grade curricular das escolas também deve incluir entre as aulas um espaço para as crianças brincarem ou até mesmo aulas de educação física. Um lugar adequado como playground ou uma quadra, mesmo que pequena, também é um ambiente para as crianças se divertirem e melhorarem o rendimento escolar.

Dicas

Se a escola do seu filho não tem espaço para brincadeiras, leve-o para passear no parque ou pracinha perto de casa.

Esportes ou algum lugar onde a criança possa brincar com um profissional adequado devem fazer parte da agenda da criança como aula de línguas.

Atividade física faz bem para a saúde e para o desempenho na escola. Lembre-se sempre disso.

Bruno Rodrigues

segunda-feira, 21 de junho de 2010

O lado B dos isotônicos


Produto contém calorias e não deve ser consumido como se fosse água
Chris Bertelli, iG São Paulo /Foto: Getty Images


Fazer exercícios físicos elimina aqueles quilinhos extras, mas nada de achar que emagreceu só porque depois de suar na esteira você saiu com dois ou três quilos a menos. Essa diferença nada mais é do que líquido perdido – e que deve ser reposto – durante a malhação.

Para restituir a hidratação, há quem tenha o costume de trocar a água pelo isotônico. A medida é indicada apenas para atletas, segundo conselho da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). E o consumo frequente deve ser prescrito por um médico ou nutricionista.

Isotônicos: bebidas não são indicadas a todos
A bebida, chamada também de repositor hidroeletrolítico, é composta por carboidratos, sódio, potássio e minerais, e serve para repor estes nutrientes perdidos durante os exercícios.

“Os isotônicos têm uma formulação distinta, seus componentes aumentam e agilizam a absorção líquida no intestino e repõem os nutrientes eliminados na ginástica. Mas não há benefício real se consumidos sem necessidade”, diz Luciana Rossi, do Conselho Regional de Nutrição de São Paulo. Além disso, como contêm carboidratos, são mais calóricos e podem até favorecer o aumento de peso.

Por conta dessa composição diferenciada, as bebidas não devem ser consumidas por qualquer pessoa. “Elas contêm alto índice de sódio e quem segue uma ingestão controlada desse nutriente, deve evitar consumi-las, como pacientes com insuficiência renal ou hipertensão, por exemplo”, afirma Fernanda Bortolon, nutricionista da Unimed de Porto Alegre. Quem tem tendência a desenvolver pedras nos rins também deve tomar cuidado e beber com parcimônia.

A indicação dos especialistas, principalmente para quem tem restrições, é consultar um médico e prestar atenção ao rótulo que indica as propriedades da bebida. E sempre há opções de substituição. “Para quem prefere algo mais saudável, pode escolher água de coco, que é bem equivalente ao isotônico”, aconselha a nutricionista paulista.

Parâmetros de desidratação

Para saber se há a necessidade de uma hidratação mais intensa, os especialistas indicam alguns truques que podem ser facilmente aferidos. O primeiro deles é pesar-se antes e depois dos exercícios. “Se a perda for superior a 2% do peso total, significa que a desidratação foi grave e essa pessoa pode fazer uso de um isotônico”, indica Luciana. Para Fernanda Bortolon, nutricionista da Unimed de Porto Alegre, verificar se o suor está muito salgado também pode ser uma forma simples de perceber a perda excessiva dos nutrientes.

A cor da urina no xixi feito após a ginástica também é um bom indicador para quem está num local sem uma balança. Ela deve ser límpida, com uma coloração amarelo brilhante, clara. Se estiver turva ou mais escura, é prudente investir na água.

Os perigos da falta de líquido

O primeiro sinal de desidratação é a sede. Mesmo que leve, já é um sinal de que o nível de água no corpo está abaixo do ideal para que ele realize suas funções plenamente.
Em um primeiro estágio de desidratação a boca e os olhos ficam secos. Na sequência, a pessoa sente mais dificuldade para realizar atividades corriqueiras, se sente mais pesada e experimenta redução do apetite. Uma desidratação aguda pode causar tontura, fraqueza, dor de cabeça e, em casos muito graves, levar à morte por falência renal.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

As características do futebol e o treinamento de força

Um excelente artigo Autor: Francisco Adolfo Ferreira* Fonte: Cidade do Futebol

Sugestão para evitar um desgaste excessivo, que poderia ser causado pela alta intensidade e o intervalo de recuperação insuficiente, é uma carga de trabalho mais suave aos atletas
A capacidade física-força tem sido cada vez mais solicitada aos atletas de futebol. Conceitos como futebol-força, por exemplo, já se tornaram comuns no futebol profissional de alto rendimento. A força caracteriza-se, nesta modalidade, como talvez a única capacidade que pode ser treinada de maneira isolada.

Uma vez que o futebol possui características bastante peculiares, como: o grande espaço do campo de jogo, podendo chegar a 120m x 90m nas suas dimensões máximas permitidas pelas regras; o período prolongado de tempo de jogo, com 90 minutos, sem contar os minutos de tempo recuperado ao final de etapa de jogo; o piso com gramados não padronizados, onde muitas vezes se encontra, em um mesmo campo de jogo, vários tipos diferentes de grama, seja ela alta, ou baixa, rala ou densa, e onde o piso pode ser duro, fofo, seco, encharcado, plano, com buracos ou ondulações; o horário de prática e os diferentes climas, indo desde próximo de zero grau em um jogo noturno no inverno, até 40 graus celsius em regiões tropicais à tarde e em horário de verão. Além, claro, do número elevado de atletas envolvidos na disputa (22), da grande heterogeneidade do grupo de jogadores, de suas funções dentro da equipe e dos diferentes sistemas de jogo e postura tática da equipe.

Por todas essas razões, e dadas as características do futebol como uma modalidade aberta em que durante todo o tempo de jogo, há, conseqüentemente, problemas motores que exigem dos praticantes a adaptação da técnica em busca da solução (motora) para uma situação específica, a imprevisibilidade, a rapidez na tomada de decisões, assim como a inteligência tática, o tornam um jogo repleto de alternativas e predominantemente tático. Jogar futebol é estar buscando o tempo todo levar a bola para longe de sua meta (ações defensivas) e, ao mesmo tempo, tentando chegar o mais próximo possível da meta adversária, a fim de se consignar o tento.

Isso exige percepção, estratégia, visão de jogo, rapidez de raciocínio, técnica apurada e um excelente e eclético condicionamento físico, com ótimos níveis de força, resistência, velocidade, agilidade e destreza.

Talvez seja a modalidade esportiva com o maior número de variáveis envolvidas e onde o imponderável tem maior peso, sendo um jogo onde, não raras vezes, uma equipe mais fraca tecnicamente consegue vencer a mais forte.

A resistência aeróbia torna-se básica na medida em que permite ao atleta suportar o tempo prolongado de jogo, sendo esta ainda predominante em termos de volume. A força é, por sua vez, o alicerce que torna possível a aplicação das capacidades anaeróbias e, ainda que em pequena escala devido ao elevado grau de dependência do componente genético, o desenvolvimento da velocidade e da potência. Além disso, ela contribui no aspecto preventivo das lesões músculo-articulares.

Esse esforço anaeróbio, seja lático ou alático, é preponderante. São os lances que decidem os resultados dos jogos. Praticamente todos os lances em que está envolvida a disputa pela bola são de intensidade alta ou máxima e curta duração, ou seja, onde estiver a bola, haverá disputa, e onde houver disputa, haverá demanda de força, velocidade, potência: arrancadas; saltos; giros; frenagens, mudanças bruscas de direção, dribles e chutes.

Nas outras partes do campo de jogo, distantes da zona onde está sendo disputada a posse da bola, os atletas estarão em atividades de baixa intensidade: trotando, andando, ou mesmo parados, recuperando-se para as disputas subseqüentes. Portanto, a intermitência e a imprevisibilidade dos tipos de esforços são constantes no jogo de futebol.

No Brasil, em comparação com a Europa, por exemplo, joga-se muito (em torno de 70 jogos/ano), e, contraditoriamente, continuamos também treinando muito (volume) quando o natural seria que houvesse uma relação inversamente proporcional, embora, ao se comparar uma equipe de pequeno porte com um dos grandes clubes brasileiros, percebemos que o time pequeno treina muito mais devido ao fato de disputar um menor número de competições e jogos.

Partindo desse princípio, deveríamos prestar mais atenção à questão do volume e ao tipo de treino a que submetemos os nossos atletas de futebol. Uma das questões a levantar seria o fato de haver, com muita freqüência, sessões de treinamento complexas, ou seja, com treinamentos concorrentes em seqüência. Numa sessão de musculação, por exemplo, geralmente não podemos aplicar intensidades altas em termos de percentual da carga máxima (80 a 90%), pois ao término dessa sessão, o atleta já será, invariavelmente, submetido a uma seqüência de treinamentos no campo (agilidade, tração, etc.), assim como também, no dia seguinte e nos subseqüentes, com outros treinamentos físicos, técnicos, coletivos e até mesmo jogos, que, teoricamente, seriam os momentos de intensidade máxima dentro do microciclo.

Não há tempo suficiente, não há intervalo para uma plena recuperação (deveria ser de aproximadamente 48 a 72 horas), após um treino-força como citado. Por essas razões, sugiro como forma de preservar os atletas, uma carga de trabalho mais suave (em torno de 60% de 1RM) para evitar um desgaste excessivo que poderia ser causado pela alta intensidade e o intervalo de recuperação insuficiente. Resistência muscular, força e potência são trabalhadas na musculação e em circuitos de agilidade.

Resistência de força é trabalhada na caixa de areia e através do trabalho de tração. Como o piso de areia não é específico da modalidade, essa só deve ser usada no período básico.